quarta-feira, 11 de maio de 2011

SEREIA


Cansou de imaginar onde estaria você.
Foi descobrir onde estava ela mesma.

Na tarde cinza, muralhas de água.
Venceu as ondas. Furou a arrebentação.
E mergulhou. No fundo de si.
Foi até onde a luz não bate.
A profundeza que ninguém visita.

Entrou sem aviso.
Viu peixes estranhos. Que nadam sem enxergar.
Plantas escuras. Que crescem sem o sol.

Arrancou uma a uma.
E deu direção aos cardumes cegos.

Oxigenou anseios.
Lavou o coração.
Subiu à margem, sem margem de dúvida.
Com ar de sobra, pôs-se a nadar.

Onde estará você?
Não importa...

Ela está no mar.
Cristalino, mar.

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